O amadurecimento do e-commerce

| 23/07/2010 - 17:01 PM | Comentários (0)

Após um período de gestação em que diversas ideias começaram a tomar corpo e outras tantas não vingaram, dos corajosos primeiros passos intercalados com muitos tropeços e de um início de aprendizado marcado pela difícil adaptação a uma realidade totalmente nova, finalmente o comércio eletrônico no Brasil parece caminhar de maneira equilibrada rumo ao amadurecimento.

Muitos fatos comprovam que o varejo virtual está deixando para trás seus dias de infância. De acordo com o “WebShoppers”, estudo da e-bit, o e-commerce alcançou um faturamento de R$ 10,6 bilhões no país em 2009, um crescimento de 30% em comparação a 2008.

“Já faz um bom tempo que o varejo online apresenta altos índices de expansão. Porém, o que precisa ser destacado é o fato de que nos últimos dois anos esse crescimento na casa dos 30% já não acontece em cima de pequenas cifras, mas sim, de uma base mais consistente”, opina Gerson Rolim, diretor executivo da camara-e.net.

A pesquisa também mostra que no ano passado as transações pela rede atraíram 17,6 milhões de e-consumidores, contra 13,2 milhões em 2008, ou seja, crescimento de 33%.

“Hoje, o país tem 30 milhões de contas de internet banking e cerca de 66 milhões de internautas. Essas pessoas já transacionam valores financeiros pela rede, mas grande parte ainda não compra nessa esfera. A barreira para atrair esse contingente é muito pequena e mostra uma gigantesca oportunidade pela frente”.

Porém, em meio a esse panorama animador, Rolim enxerga a questão da infraestrutura necessária para suportar essa expansão como o principal desafio a ser enfrentado. “O grande gargalo é a banda larga, a disponibilidade das conexões, algo que demanda investimentos consideráveis e que é um papel do governo”.

Círculo virtuoso

As recentes movimentações de grandes varejistas são mais uma prova da crescente atração desse canal. Um dos exemplos nesse sentido são as transações do Grupo Pão de Açúcar envolvendo as aquisições da Casas Bahia e do Ponto Frio, o que promete trazer reflexos importantes no e-commerce, com a criação da NovaPontoCom.

Da mesma maneira, outras marcas de renome finalmente decidiram navegar nesse ambiente, como o Wal-Mart, que lançou sua plataforma online em setembro de 2008, e o Carrefour, o último gigante varejista a apostar nessa corrente, em projeto apresentado no início de março deste ano.

“Essa oportunidade já estava aí e o varejo tradicional demorou para acordar, até que os números começaram a falar por si mesmos. O setor é muito conservador e o que ainda predomina é o efeito vizinho”, explica Alexandre Horta, sócio-diretor da GS&MD Gouvêa de Souza.

Ele frisa que o principal vetor dos varejistas ainda é a margem de lucro e dessa forma, quando é preciso se estruturar e investir em tecnologia, como no caso do e-commerce, essa postura acaba engessando um pouco esse processo.

Para Horta, a entrada dos grandes players cria um círculo virtuoso, que pode trazer significativos avanços nos próximos anos, tanto em termos de estratégias diferenciadas como no sentido de reforçar a segurança dos consumidores em utilizar o canal virtual, pelo fato de marcas de maior credibilidade estarem agora inseridas nesse cenário.

Segundo o executivo, o comércio eletrônico também vem motivando cada vez mais os esforços de pequenos e médios varejistas, que enxergam esse segmento como uma alternativa para ampliarem seus sortimentos sem a necessidade de investimentos na expansão de suas lojas físicas.

“Os varejistas já perceberam que a rede é um atalho extremamente rápido para estar presente em qualquer local, processo que no caso das lojas físicas levaria décadas. A velocidade com que você consegue se colocar no mercado demonstra que há muito espaço para crescer, pois mesmo as PMEs podem expandir seus negócios atuando em faixas segmentadas de produtos”.

Outros desafios

Juntamente com a infraestrutura e as diversas particularidades que concorrem para o sucesso de uma operação de e-commerce, como logística e estratégias de precificação adequadas, outro aspecto é apontado como um desafio a ser superado: a fidelização dos clientes.

Diante dessa premissa e do novo perfil de consumidor que vem se desenhando, multicanal e com nível de exigência muito elevado, parte da questão da fidelização passa fundamentalmente pela melhoria da experiência de compra, com o aprimoramento de conteúdos, descrições e visualização dos produtos, de filtros de busca e de ferramentas de comparação de preços, entre tantos outros recursos.

Além dessas ações, Alexandre Horta acredita que há um longo caminho a ser percorrido pelas empresas, pois o varejo no Brasil ainda não conseguiu dominar o ciclo de rastrear as decisões do consumidor, analisar hábitos, desejos e saber ofertar uma promoção mais adequada ao perfil de cada cliente.

“Essas práticas passam muito por análise, o que não é o forte do varejo, que é formado por gente operativa, comercial, de negociação. É preciso perceber que a Internet fornece meios fantásticos para acelerar esse processo de conhecimento do consumidor e que essas possibilidades não podem ser desperdiçadas”.
Fonte: Decisionreport

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Categoria: Artigos, Tutoriais

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