PF prende (de novo) fraudador que clonou cartão da Xuxa

A Polícia Federal desarticulou na última semana uma quadrilha que realizava fraudes on-line em diversos Estados do Brasil. No total, 12 suspeitos foram presos preventivamente na deflagração da Operação Valentina, com base no Ceará, e que envolveu a prisão de três suspeitos que já haviam sido detidos em 2008 em função de um crime bastante inusitado: a clonagem do cartão da apresentadora Xuxa Meneghel.

Estima-se que o grupo tenha realizado fraudes bancárias via internet, tendo causado um prejuízo na casa de R$ 7,5 milhões. Na terça-feira 11 de abril, segundo a PF, haviam sido cumprido sete mandados de prisão preventiva e seis temporárias, oito conduções coercitivas e 25 ordens de busca e apreensão. Dos 46 pedidos, 44 foram realizados no Ceará e 2 em São Paulo.

Dentre todos os suspeitos de integrarem a quadrilha alvo da Operação Valentina, chamou a atenção a participação de três criminosos: os hackers A.F.S.L., J.S.S.J. e M.C.G. O trio havia ganhado notoriedade há quase 10 anos, quando, em 2008, foram presos após uma tentativa frustrada de golpe contra Xuxa.

À época, todos eles eram universitários quando foram detidos em flagrante pela Polícia Civil cearense com um cartão de crédito adicional vinculado à conta bancária de Maria das Graças Meneghel, mas com o nome de um dos fraudadores para não levantar (tantas) suspeitas.

“Eles não poderiam utilizar o cartão da Xuxa, porque levantaria uma série de desconfianças, então cadastraram J.S.S.J. como adicional dependente do cartão da Xuxa, de valor ilimitado, que poderia comprar até um carro. Foi interceptada a entrega do cartão”, explicou na ocasião o delegado titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações do Ceará, Andrade Júnior.

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Quadrilha de volta ao cibercrime

Os três fraudadores que aplicaram o golpe contra Xuxa desta vez não utilizavam cartões de crédito para lesarem instituições financeiras. O golpe se dava especialmente contra bancos, a partir de tentativas de phishing contra correntistas, com o envio de e-mails ou mensagens de celular com links falsos e que disseminavam softwares maliciosos.

Os telefones “contaminados” tinham as linhas transferidas para chips avulsos, que eram entregues aos criminosos por um funcionário de uma operadora de telefonia, que fazia parte do esquema. As transações bancárias eram desbloqueadas via-telefone, e a quadrilha utilizava as contas invadidas para a realização de transferências e pagamento de boletos.

“Os prejuízos já confirmados pela investigação e pelas instituições financeiras superam os R$ 7,5 milhões, com vítimas em todo território brasileiro e fraudes realizadas até mesmo no exterior. Os investigados, na medida de suas participações, responderão pelos crimes de furto qualificado, lavagem de dinheiro e organização criminosa”, informou a Polícia Federal.

A quadrilha estava sob investigação desde a metade de 2016, em uma ação que contou com o apoio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. “Eles não tinham atividade de fachada. A atividade de fachada deles era a ostentação em festas, baladas, viagens, carrões, ostentação em viver em condomínios de alto luxo”, explicou o delegado Madson Henrique Tenório de Oliveira, em declaração reproduzida pelo jornal O Povo. Os investigados também teriam emitido cartões sem chip para utilizá-los em viagens a países da América do Sul.

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