Por que o Brasil é um dos líderes mundiais da fraude on-line?

Pesquisa mostra panorama da fraude no e-commerce brasileiro

Publicamos aqui em nosso blog diversos estudos, das mais variadas fontes, que colocam o Brasil como um dos países com o maior índice de fraudes na internet, especialmente contra e-commerces.

Já compartilhamos estudos que revelam que 18% da nossa população sofreu roubo de informações pessoais em apenas um trimestre de 2017; rankings que apontam o Brasil como o País mais vulnerável para vazamento de dados; que o nosso prejuízo com golpes virtuais no último ano foi de quase R$ 70 bilhões. Já houve até quem nos apontou como campeão mundial em golpes on-line.

Geeeente, mas é só tragédia?

Calma, não se desespere. Mas, antes de explicarmos que não há (tantos) motivos para pânico, será que você sabe dizer qual é o país que rivaliza com o Brasil ao menos na questão de tentativas de fraude no e-commerce, em compras com cartões clonados que posteriormente se transformam em chargeback para o lojista?

Vamos lá, pode chutar.

Estados Unidos, Rússia, China? Índia?

Não. A resposta normalmente surpreende:

México!

Normalmente, quando convidam a Konduto para palestrar sobre temas relacionados à fraude no e-commerce, fazemos esta pergunta durante a apresentação e a plateia recebe com espanto esta informação. Sempre nos questionam: “Não são os Estados Unidos? Mas e os hackers russos?”

Só que, certa vez, quando estávamos palestrando no Let’s Talk About…, organizado pela Vindi, recebemos uma pergunta ainda mais interessante:

Por que Brasil e México?

A resposta não é tão simples assim, ela engloba um conjunto de fatores. São questões culturais, socioeconômicas, judiciais, de mercado, de desenvolvimento do e-commerce e do modelo de pagamento on-line de ambos os países – e também de outras nações com alto potencial de liderar este ranking.

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Performa.AI

O André Uchôa, Chief Enterprise Architect da VTEX, que participou deste mesmo evento conosco, resumiu muito bem este ponto:

“O principal fator é justamente que são dois países que têm uma economia forte, as duas maiores da América Latina, e também uma disparidade social muito grande. Essas diferenças fazem com que as pessoas busquem fontes de renda mais inusitadas. A criminalidade no Brasil e no México não é alta só no ambiente virtual, mas a diversificação do crime também vai cair no ambiente on-line”.

Tks, André!

Além disso, outro ponto crucial para termos os e-commerces de Brasil e México liderando os rankings mundiais de fraude, é justamente a evolução do sistema de pagamentos nos dois países. Em ambos, os cartões de crédito são emitidos obrigatoriamente com o chip EMV, o que reduz de maneira massiva a incidência de clonagem “física” de cartão, uma vez que é o chip quem realiza a transmissão de informações entre cartão, maquininha e banco, mediante senha e com um código único de transação. Antigamente, a tarja magnética oferecia uma proteção muito falha aos plásticos e “facilitava” consideravelmente a vida de estelionatários.

Diante da dificuldade em clonar fisicamente cartões chipados, a fraude de cartão nestes dois países migrou para o cenário on-line, onde não é necessário o uso de senha pessoal para a validação de uma transação – apenas número do cartão, CVV e data de validade. Ou seja: foi justamente a modernização da cadeia de pagamentos por cartão que “empurrou” os fraudadores para o e-commerce.

Nos Estados Unidos, pasmem, o chip EMV ainda é uma tecnologia incipiente e que causa muita divergência naquele mercado. Até outubro de 2015, por exemplo, as lojas não tinham a obrigatoriedade de aceitar cartões chipados. Isso abria uma margem muito grande para criminosos, que realizavam compras presenciais com cartões clonados e já saíam do estabelecimento com a mercadoria em mãos – nem tinham que esperar pelo frete!

Aos poucos, porém, estamos vendo esta movimentação no cenário de pagamentos nos Estados Unidos. A fraude on-line vem aumentando muito por lá ano após ano, e provavelmente a nação norte-americana, com um e-commerce gigantesco em comparação aos mercados de Brasil e México, tomará o posto de país líder em golpes no comércio eletrônico.

Ok, mas isso não vai diminuir o meu problema: a fraude no Brasil

Sim, nós sabemos. Mas lembra que dissemos no início deste texto que não há motivos para pânico? Pois então, agora chegou a hora de explicarmos por quê.

A fraude faz parte do dia a dia de quem vende on-line. Assim que você tiver o risco do negócio assimilado fica muito mais fácil lidar com ele: você deixará de lutar contra o desconhecido e poderá combater este problema de uma maneira muito mais precisa.

Já sabemos que sonhar com a “fraude zero” é uma armadilha para o lojista, que pode acabar abrindo mão de uma parcela grande de vendas boas pelo simples medo de não sofrer um ou outro chargeback. E já explicamos aqui que, no fim do dia, quem vence o jogo contra a fraude não é quem tem a taxa de fraude igual a zero, mas quem consegue realizar o máximo de vendas diante do menor risco possível.

Sim: o e-commerce brasileiro está inserido em um cenário muito problemático, e o índice de tentativas de fraude de cartão por aqui é altíssimo, de 3,03%. Porém, só em 2017, as vendas on-line em nosso País geraram um faturamento de quase R$ 60 bilhões (segundo dados da ABComm), com 203 milhões de pedidos – dos quais mais de 70% foram pagos no cartão de crédito. Você não quer ficar fora deste setor, que deve crescer mais 15% este ano, não é mesmo?

Lojista, não deixe que o medo da fraude te paralise. E não assuma esta carga para você. A notícia, para encerrar este artigo com uma mensagem positiva, é que há diversas tecnologias antifraude no mercado (sim, a Konduto é uma delas, certamente a mais moderna e inovadora), que farão de tudo para manter a saúde financeira do seu e-commerce!

Felipe Held é Head of Marketing & Communications da Konduto, empresa especializada em soluções antifraude.
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