Temos uma dica para você não perder 40% das suas vendas

Um estudo feito por SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgou um dado alarmante nos últimos dias: mais de 58 milhões de brasileiros estão negativados. Isso significa que 39% da população economicamente ativa do País é considerada “má pagadora” e pode enfrentar diversos problemas, como conseguir empréstimos bancários e obter um cartão de crédito, por exemplo.

Há diversos motivos para que um cidadão fique com o “nome sujo na praça”, e fatores como a redução do PIB e o desemprego tiveram um peso bastante importante para o aumento no número de inadimplentes no País durante 2016.

Ao lermos este estudo na Konduto, nos fizemos uma pergunta ardilosa: clientes que porventura estejam com o CPF em situação irregular terão mais dificuldades em fazer uma compra on-line?

Provavelmente sim. E acredite: isso é um erro enorme por parte do lojista!

Vamos imaginar a Júlia, que foi impactada por uma campanha de mídias sociais de um e-commerce de moda feminina, no qual ela nunca havia efetuado uma compra. Ela navegou no site, observou diversas peças e tamanhos e por fim decidiu adquirir algumas peças. No checkout, a Júlia decidiu pagar no cartão de crédito, em 6x sem juros.

Por se tratar de uma cliente nova, o sistema antifraude do e-commerce enviou aquela compra para ser verificada pelo time de revisão manual. E, por acaso, o analista percebeu que a Júlia estava com CPF negativado e achou prudente não aprovar aquele pedido.

“Melhor cancelar esta compra e não levar uma fraude”, não é?

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Humm… na verdade, não.

Como no exemplo que demos, o medo de sofrer um calote pode fazer com que alguns lojistas prefiram negar uma venda de um cliente em situação de inadimplência junto às instituições de crédito. Entretanto, em muitos casos, essa associação não é correta.

Cerca de 39% da população brasileira economicamente ativa está em situação de inadimplência, mas a taxa de tentativa de compras fraudulentas não é de 39% – e sim de 3,8%. Ou seja: não é porque uma pessoa está negativada que uma compra feita por ela é mais ou menos propensa a se tornar um chargeback.

Análise de risco não é análise de crédito

A análise de crédito não pode ser confundida com a análise de risco – há negócios, como por exemplo bancos e empresas de telefonia, que precisam sim saber se o possível cliente pode ser um mau pagador. No entanto, realizar esta verificação não faz muito sentido para a maioria das vendas on-line.

Afinal de contas, um CPF em condição regular pode ser usado indevidamente por estelionatários para uma compra fraudulenta. E, da mesma forma, clientes que estejam negativados podem, sim, fazer uma compra legítima na sua loja virtual ou no seu aplicativo mobile.

É sempre importante ressaltar que a conferência de CPF é um recurso válido na análise de risco. Contudo, em hipótese alguma a checagem de dados cadastrais deve ser a principal (ou única) forma de barrar transações fraudulentas para quem vende pela internet.

Tom Canabarro
Tom Canabarro é cofundador da Konduto, startup brasileira especializada em análise de fraude e comportamento de compra na internet.
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