Por que os bancos devem priorizar a interoperabilidade de pagamentos na América Latina? – Soluções para o futuro

Carteiras digitais

A maioria das carteiras e plataformas digitais desenvolvidas por bancos, como a BBVA Wallet, a Aval Pay, a Yape e a CitiBanamex Pay, consiste em sistemas de circuito fechado. Em geral, essas soluções se limitam às suas respectivas bases de clientes e só podem ser usadas nos estabelecimentos comerciais participantes. Essa não interoperabilidade mina o valor da rede ao limitar seu potencial de escala. O dinheiro físico – o principal método de pagamento interoperável – ainda representa até 90% das compras no varejo em alguns mercados, o que significa que a não interoperabilidade acaba com a competitividade de qualquer método de pagamento emergente.

Por outro lado, o Samsung Pay ou o Apple Pay estão disponíveis para os portadores de cartões de qualquer banco participante, enquanto plataformas não bancárias como RappiPay, MercadoPago e RecargaPay permitem múltiplas modalidades de financiamento (cartão de crédito, cartão de débito ou até dinheiro em espécie). Ao permitir o dinheiro físico como método de financiamento, essas plataformas capturam o negócio de clientes sem recursos.

Transferências interbancárias

Como os bancos lutam para oferecer cartões de crédito para a maioria dos seus clientes e os adquirentes não conseguem oferecer taxas acessíveis a pequenos comerciantes, as contas bancárias representam um elemento cada vez mais importante do ecossistema de pagamentos. Atualmente, no entanto, as contas bancárias ainda são pouco exploradas como meio de pagamento devido à interoperabilidade limitada.

Para ampliar as opções de métodos de pagamento, as instituições financeiras devem buscar esquemas que não dependam exclusivamente de cartões. Uma opção é implementar um sistema de transferências bancárias interoperáveis. Isso ajudaria as instituições financeiras a absorver as centenas de bilhões de dólares gastos em dinheiro físico todos os anos em compras no varejo em verticais como estacionamentos, pedágios, postos de gasolina, transportes públicos, varejistas de pequeno porte, recargas de celulares e pagamentos P2P.

A Visa, a Mastercard e a AmEx entendem que, nos moldes atuais, os cartões de pagamento não podem alcançar essas verticais altamente caracterizadas por transações em espécie. Essa constatação explica seus esforços de modernização por meio da implementação de cartões sem contato. Todas as três redes de cartões emitiram ordens oficiais para que seus emissores e adquirentes da região adotem a tecnologia sem contato. Isso sinaliza aos bancos locais que agora é o momento de desenvolver transferências bancárias interoperáveis em tempo real.

De acordo com a pesquisa CGI Global Payments Research, “as transferências de conta a conta deverão se tornar o maior instrumento único [de pagamentos] até 2022, superando o uso individual de cartões de débito, crédito e sem contato”. Em última análise, as transferências bancárias podem proporcionar aos consumidores maior acesso a serviços financeiros e oferecer a comerciantes melhores taxas de desconto. Essa mudança ampliará o mercado de pagamentos eletrônicos e fortalecerá as economias ao promover a formalidade entre estabelecimentos comerciais que atualmente operam por baixo do pano.

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A influência dos aparelhos móveis

Nas últimas décadas, a falta de interoperabilidade fez com que os bancos não se sentissem pressionados a oferecer pagamentos em tempo real e repassassem para as redes de cartões a tarefa de facilitar pagamentos. Atualmente, a relação entre os bancos e seus clientes passa por grandes mudanças. À medida que se tornam mais informatizados, os consumidores demonstram uma autonomia sem precedentes sobre suas finanças e uma redução significativa na fidelidade a seus bancos. Trata-se de uma combinação perigosa para bancos tradicionais, que enfrentam concorrentes que operam apenas no meio digital e cujo contato com os clientes ocorre principalmente por meio de telefones celulares.

De acordo com projeções da eMarketer, o número de usuários de smartphones na América Latina crescerá para mais de 240 milhões até 2019. À medida que os latino-americanos dominarem o uso de aplicativos móveis como o Venmo, a demanda por serviços gratuitos semelhantes aumentará. A rapidez dos pagamentos e o custo competitivo tornam-se os principais indutores da fidelidade. No Brasil, por exemplo, os consumidores estão acostumados a usar aplicativos móveis para fazer transferências em tempo real a baixo custo. Os bancos digitais atualmente oferecem pagamentos interbancários sem nenhum custo.

Ao implementar uma infraestrutura de transferências interbancárias em tempo real e disponível 24 horas por dia e 7 dias por semana, os bancos poderiam eliminar completamente os intermediários de pagamento e capturar oportunidades que somam centenas de bilhões de dólares. Os bancos, no entanto, precisam reconhecer também que podem ser substituídos rapidamente por sistemas concorrentes de circuito fechado. Os aplicativos móveis chineses WeChat e AliPay – plataformas não bancárias que processam mais de 50% do PIB da China – mostram que isso é possível. Empresas de tecnologia já presentes na América Latina, como a Rappi, estão seguindo esse caminho. Até mesmo plataformas que não processam pagamentos, como Uber e WhatsApp, representam uma ameaça iminente.

Como a interoperabilidade gera valor para instituições financeiras

Com o surgimento de fintechs e bancos digitais, as instituições financeiras tradicionais vêm repensando sua estratégia em relação à chamada abertura bancária (open banking). A Diretiva Europeia sobre Serviços de Pagamento II (PSD2) promove o compartilhamento de dados e propostas semelhantes estão sendo consideradas em outras regiões. O investimento em interoperabilidade lança as bases para a implementação do conceito de serviços bancários como plataforma (banking as a platform).

Apesar da concorrência, os bancos devem estar seguros de que continuam sendo a espinha dorsal da infraestrutura de pagamentos existente. Com a implementação da interoperabilidade plena, a infraestrutura dessas instituições fornecerá os trilhos sobre os quais empresas disruptivas podem prestar seus serviços a qualquer pessoa, em qualquer lugar, a qualquer momento. Para tanto, os trilhos devem ser abertos e inclusivos, com conectividade máxima. Nesse cenário, a ameaça competitiva se reduz e a colaboração e a ampliação ficam disponíveis para todo o ecossistema.

Em um cenário alternativo, no qual as redes de pagamento permanecem fechadas ao mesmo tempo em que os consumidores se tornam mais perspicazes, os pagamentos tendem a alcançar o status de commodity. O conceito de “pagar para pagar” desaparecerá e os bancos assistirão à canibalização dos seus volumes por concorrentes no médio prazo na América Latina. As instituições financeiras que não adotarem a interoperabilidade de pagamentos certamente perderão popularidade entre uma clientela cada vez mais sofisticada.

A interoperabilidade dos serviços de telecomunicações atualmente é vista como algo natural. Da mesma maneira, qualquer domicílio pode se conectar a uma rede elétrica interoperável e os internautas podem se comunicar livremente, a despeito do provedor usado. Com os pagamentos não deve ser diferente: no futuro, os pagamentos fluirão para qualquer pessoa, em qualquer lugar, a qualquer momento. A alta penetração dos aparelhos móveis na América Latina torna essa realidade mais imediata. Instituições financeiras que não aceitarem a mudança correrão o risco de ficar para trás.

Marco Bravo é vice-presidente para a América Latina da ACI Worldwide.
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