Neste dia do programador entenda mais sobre a profissão que mudou o mundo e conheça profissionais que constroem esta mudança

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O dia do programador é comemorado no 256º dia do ano, o que culmina no dia 13 de setembro em anos regulares e 12 de setembro em anos bissextos. A data foi escolhida porque 256 é o número de valores que podem ser representados em um byte de 8 bits — base da linguagem de programação. Esses profissionais são responsáveis por tornar a vida online possível e estão por trás de sites, softwares e aplicativos.

A programação é hoje a linguagem mais falada no mundo, e futuramente, de acordo com especialistas, será tão importante quanto o inglês. Pensando nisso, alguns países já oferecem cursos básicos de programação na escola —- a Inglaterra implantou a programação como matéria escolar em 2014. No Brasil, existem entre quatro e cinco mil empresas que desenvolvem ou produzem software. Isso indica um grande mercado para os programadores.

De acordo com uma pesquisa realizada pela HackerRank, o país é o 38º com melhor qualidade de programadores em um ranking que listou 50 nações. Victor Oliveira, programador que atuou na Uber no Vale do Silício e hoje tem uma empresa de programação de aplicativos sob demanda no Brasil, afirma o cenário. “A qualidade dos programadores brasileiros é reconhecida no país e fora dele, isso porque os profissionais daqui estão sempre em busca de aprimoramento”, destaca.

Conheça histórias de programadores brasileiros que estão mudando a sua realidade e de muitas pessoas por meio de combinações de zeros e uns:

Hacker do bem — Piero Contezini sempre foi apaixonado por tecnologia, mas iniciou sua carreira de uma maneira não muito convencional. O programador “invadia” sites e aplicações para testar sua segurança, como um “hacker do bem”. Mais tarde, decidiu abrir uma fábrica de software com amigos e percebendo a dificuldade em cobrar clientes inadimplentes, focou seus esforços em uma solução que automatiza o processo de cobrança para MEIs. O Asaas é uma plataforma que já tem cinco anos e movimenta cerca de  R$400 milhões. Mesmo focado nos negócios, Piero ainda auxilia a identificar fraudes onlines e usa a programação para combater crimes cibernéticos.

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Profissão inclusiva — Maurício Sá Peixoto, analista de testes da Softplan, uma das maiores de desenvolvimento de software do país. Maurício é deficiente visual e atua na área de programação da empresa para garantir a acessibilidade dos programas desenvolvidos, ou seja, para que qualquer pessoa possa acionar normalmente botões, links por meio de comandos do teclado, ter acesso às imagens por meio de textos alternativos, preencher formulários e etc. Antes de conquistar o cargo, Maurício sempre sonhou em trabalhar com tecnologia. Durante sua trajetória, custou a ter uma oportunidade e esbarrou em dificuldades de uso de alguns programas. Para ele, promover a diversidade e a acessibilidade na programação é um caminho para tornar a sociedade como um todo mais acessível. “A acessibilidade web precisa ser pensada desde o início do projeto e não como algo adicional que pode ser pensado depois. É preciso uma mudança de cultura por parte dos desenvolvedores, designers, gestores de projetos e os demais envolvidos na concepção do produto, para terem a consciência que pessoas com deficiência são usuárias dos sites e que se os padrões de desenvolvimento web forem seguidos corretamente, a maioria das barreiras de falta de acessibilidade na web estarão resolvidas. Acessibilidade não é um favor e nem opcional, estando prevista, inclusive, na lei”, destaca ele.

Jovens programadores — Letícia Isabel da Luz tem apenas 14 anos e já tem interesse em programação. Por gostar muito de jogos digitais, sempre teve a curiosidade de como programá-los. Letícia viu a oportunidade de aprender a profissão no curso Aprendendo a Programar, iniciativa do Comitê para Democratização da Informática (CDISC) que ensina programação básica para jovens. Mais de 40 alunos, que possuem entre 14 e 20 anos, já passaram pelo Aprendendo a Programar somente este ano.

Empoderamento na programação —  Uma pesquisa divulgada pela UBER mostra que até o ano passado, dos 12 mil funcionários, apenas 36% eram mulheres. Esse cenário se repete no setor de tecnologia, especialmente quando se fala em programação. Katreen Schmidt, da HostGator, um dos principais provedores de hospedagem de sites do mundo, atua há 14 anos no desenvolvimento de sites, e-commerce e ferramentas e conta que se acostumou a trabalhar em equipes majoritariamente masculinas. Para ela, o time feminino aumentará no setor com mais conhecimento sobre a área. “As pessoas que entram para a tecnologia são por influência de conhecidos ou porque desde a infância/adolescência tem fascínio por alguma área: games, redes sociais, robôs, sites, etc. A apresentação deste setor durante o período de colégio seria a melhor forma de esclarecer dúvidas e medos, até porque o primeiro programador foi uma mulher!”, diz, em referência à Ada Lovelace.

Ingrid Faber, desenvolvedora de software da Hexagon Agriculture, empresa com escritório em Florianópolis e voltada para tecnologias da informação para a eficiência, produtividade e sustentabilidade no setor agrícola, concorda. Ela trabalha na área de tecnologia há oito anos e já foi a exceção em algumas empresas por onde passou. Mãe de gêmeas de três anos, Ingrid também acredita que a mudança da realidade majoritariamente masculina no setor começa bem antes da escolha da profissão. “Temos que despertar o interesse pela ciência e pela tecnologia desde cedo e desenvolver habilidades que normalmente são mais estimuladas nos meninos. Isso é nossa responsabilidade como pais e mães. Lá em casa por exemplo, os contos de fadas têm sempre um toque especial. As nossas princesas costumam morar no vale encantado do silício”, conta.

A lei do compartilhamento — Com uma profissão originalmente conectada, os programadores criaram uma nova forma de compartilhamento do conhecimento que nutre e impulsiona quem atua neste setor, o Open Source.  O código aberto torna a tecnologia colaborativa; estabelece-se uma gestão horizontal na qual qualquer pessoa com o conhecimento necessário pode ajudar a desenvolver e aprimorar um software.  Alexandre Cordeiro, COO da Cheesecake Labs, empresa que desenvolve aplicativos sob demanda, é defensor e usuário do método. Ele afirma que a vantagem para o programador é poder ajudar no desenvolvimento de grandes soluções. “Apesar de não necessariamente receberem retorno financeiro, a experiência é refletida em credibilidade no mercado – que, além da capacidade profissional, enxerga comprometimento e engajamento com a programação de soluções. Uma das grandes mudanças causadas pelos software open-source é a autonomia e mudança de mindset: ao perceber uma demanda, a própria comunidade de programadores se une para aprender e compartilhar como superá-la”, define Alexandre.

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