Tear lança projeto transmídia voltado ao público feminino

Tecer um espaço de voz feminina e “atear” fogo no debate. Nesse espírito contestador, nasce, em São Paulo, a Tear, uma rede de iniciativas femininas, concebida por quatro jovens amigas empreendedoras: as publicitárias Isabela Ventura e Marcella Mugnaini e as advogadas Rosely Cruz e Vanessa Louzada. O primeiro passo do projeto é o lançamento, nesta semana, da Rede Tear, uma plataforma de conteúdo e conexão de iniciativas e projetos de mulheres empreendedoras.

As publicitárias Marcella Mugnaini e Isabela Ventura e as advogadas Vanessa Louzada e Rosely Cruz e, sócias-fundadoras da Tear, novo canal transmídia para o público feminino. Crédito da foto: Barbara Veiga.

A ideia da Tear é que as plataformas alimentem a discussão em torno de pautas do feminismo, conteúdos e artigos de mulheres compartilhando suas experiências. O projeto Tear é mais amplo, um projeto transmídia, que aliará conteúdo voltado ao universo feminino, entrevistas, curadorias, canais sociais, programa de aceleração, recrutamento, educação e, no segundo semestre de 2018, um espaço físico, a Casa Tear, casa colaborativa para mulheres empreendedoras. Toda a equipe envolvida com o projeto até aqui é composta 100% por mulheres. O site teve design desenvolvido por Priscila Barbosa, ilustradora e designer do Coletivo Júpiter e programação é de Thula Kawasaki.

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Para criar o projeto, a Tear reuniu mulheres de diferentes perfis e territórios para rodadas de workshop. A escuta dos problemas trouxe muitos insights sobre os desafios e oportunidades no cenário feminino. O nome do projeto remete a uma das práticas mais femininas e milenares: o ato de tecer. Fiar e tecer são antigas artes mágicas femininas e aparecem nos mitos de várias deusas – parcas gregas, as moiras romanas, as nórdicas – como expressão dos seus poderes proféticos, criativos, sustentadores dos ciclos lunares, das estações e dos destinos da vida humana. Tecer é um ato criativo e expansivo. Fios, cordas, redes e tecidos foram usados, na literatura e na vida, como símbolos da criação do mundo e da vida humana. As mulheres antigas o associavam com o nascimento da criança para um futuro desconhecido, um elo evidente entre tecer e parir, o cordão umbilical sendo o elo que ligava a mãe ao filho.

Tear, o portal digital oferece conteúdo e cadastro de iniciativas e projetos de mulheres empreendedoras em todo o país. No segundo semestre haverá a abertura da Casa Tear, em São Paulo.

“Através da Tear, potencializaremos a força e a sensibilidade da mulher, oferecendo um lugar de crescimento profissional e pessoal, um ponto de encontro, um espaço de respiro”, explica a publicitária Marcella Mugnaini, uma das fundadoras da Tear e CEO da UP, Laboratório de Projetos Transmídia em São Paulo. “Trabalhando com tecnologia, cansei de ser a única mulher nas reuniões, cansei de ouvir piadinhas sexistas e machistas de colegas de trabalho. Todas nós aqui passamos por essas situações constrangedoras e misóginas e resolvemos criar mecanismos para dar um basta nisso. A Tear nasceu para romper esse teto de vidro que impede a ascensão profissional feminina no Brasil”, complementa Isabela Ventura, publicitária e uma das fundadoras da Tear. Isabela atualmente é CEO da SQUID, plataforma que conecta microinfluenciadores com grandes marcas. Também foi diretora geral da Lomadee, empresa do Grupo Buscapé, onde recebeu nos últimos 3 anos o prêmio Digitalks como profissional que mais se destacou no mercado digital na categoria Marketing de Afiliados.

No Brasil, as mulheres ganham menos do que os homens e são as maiores vítimas de assédio sexual no trabalho, normalmente cometido por homens em situação de hierarquia superior. Segundo o Instituto Ipsos, em pesquisa em 24 países, 41% das entrevistadas no Brasil confessaram ter medo de se expressar e de lutar pelos seus direitos. Esse percentual é bem maior do que a média global, que ficou em 26%. As mulheres do Brasil ficaram atrás apenas das indianas (as mais receosas em brigar pelos seus direitos, com 54%) e das turcas (47%). Motivos não faltam: aqui, a cada 11 segundos uma mulher é violentada; a cada 10 minutos, uma mulher é estuprada; e a cada 90 minutos uma mulher é assassinada, de acordo com o IPEA. Todas essas violências estão relacionadas à questão de gênero.

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