Polícia reforça investigações contra fraudadores: o que podemos esperar?

Você sabia que a compra on-line com cartões de crédito clonados é um dos crimes mais cometidos no Brasil? Pois é: apesar de ser um assunto quase nunca comentado em grandes veículos de comunicação, a fraude on-line é um delito que acontece com enorme frequência no nosso País. No entanto, estamos vendo neste ano de 2017 um movimento bastante interessante para o e-commerce: o aumento das investigações policiais.

Ao longo de 2016 já havíamos notado uma certa movimentação das autoridades nacionais quando, ainda no primeiro semestre, a Polícia Federal deflagrou a Operação Chargeback, no Tocantins. Já neste ano, outras duas grandes operações foram montadas pela PF em mais dois Estados: a Operação Valentina, no Ceará, e, mais recentemente, a Operação Gateway, em Minas Gerais. E, ao que tudo indica, mais ações devem surgir nos próximos meses.

Esta movimentação é crucial para a conscientização a respeito da fraude de cartões é realizada. Mas não é tão difícil termos uma noção de como este crime acontece com uma frequência altíssima, basta cruzarmos algumas informações que são bastante conhecidas de quem atua no setor de e-commerce.

Segundo a Abcomm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), 106,3 milhões de pedidos* foram realizados no e-commerce brasileiro durante o ano de 2016. Considerando que a média de fraudes cometidas esteja na casa de 0,8%, pode-se inferir que quase 850,4 mil compras foram de origem fraudulenta entre 1º de janeiro e 31 de dezembro.

850.400 fraudes de cartão cometidas no ano.
2323 fraudes por dia.
96 fraudes por hora.
3 fraudes a cada 2 minutos no e-commerce brasileiro!

No entanto, se consideramos que a taxa de tentativas de fraudes é de 3,6% (ou seja, incluindo as transações negadas por sistemas antifraude, operadoras de cartão e pelas próprias lojas virtuais), a incidência deste crime é ainda maior. Chegaríamos a 3.826.800 pedidos fraudulentos por ano, sendo mais de 10.456 tentativas diárias, 436 a cada hora, ou…

7 tentativas de fraude por minuto!

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Impressionante, não?

Mas este número certamente não chega às autoridades responsáveis por um simples motivo: é impossível reportar cada uma das fraudes ocorridas na operação de uma loja virtual. Imagine, por exemplo, o caso de um e-commerce que receba 600 mil pedidos por mês e tenha uma taxa baixa de chargebacks – 0,3%, por exemplo. São 1.800 chargebacks no mês, ou 60 por dia.

Sejamos realistas: é inviável para o e-commerce abrir 60 boletins de ocorrência por dia, recolhendo documentos e provas necessários para anexar ao B.O. E, da mesma forma, é impensável para uma delegacia receber estas 60 queixas diariamente, não é mesmo?

É bastante animador ver estes primeiros movimentos das autoridades para combater quadrilhas especializadas na clonagem de cartão de crédito e na realização de compras fraudulentas on-line, tanto no Brasil como em vários outros países ao redor do globo. No entanto, sabemos que ainda há muita coisa a ser feita – por todos nós, que fazemos parte da cadeia de pagamentos on-line. Já escrevemos sobre isso, algum tempo atrás:

“O sistema de meios de pagamento possui uma dinâmica incrível, permitindo a autorização de uma transação em menos de 5 segundos. Mas este “universo” surgiu antes do aparecimento da fraude on-line e ainda não se adaptou a esta realidade. No entanto, essa comunicação não é tão veloz no que diz respeito a chargebacks (…). Ainda é preciso encontrar uma solução. E este é um desafio de todos os envolvidos neste universo.”
Artigo original: Quanto tempo leva para chegar um chargeback?

O desafio continua aberto. E, certamente, todos os envolvidos na cadeia de meios de pagamento estamos dispostos a colaborar com as autoridades e encontrarmos uma solução que seja capaz de coibir a fraude on-line, que tanto prejudica quem vende on-line nos dias de hoje.

‘*’: Ops! Inicialmente tínhamos escrito aqui que o volume de pedidos no e-commerce em 2016 tinha sido de 16,6 milhões. Na verdade o número era referente apenas à temporada de vendas de fim de ano. No ano inteiro o número foi (beeeeem) maior. Corrigimos rapidinho essa gafe e também ajustamos ass contas.

Tom Canabarro
Tom Canabarro é cofundador da Konduto, startup brasileira especializada em análise de fraude e comportamento de compra na internet.
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