Entrevista: Interney, perito em mídia social

| 26/03/2010 - 02:49 AM | Comentários (0)

Envolvido profissionalmente com informática há 20 anos, Edney Souza escancara sua relação estreita com a internet já em seu apelido: Interney. Curiosamente, a própria internet já serviu de justificativa para uma demissão no começo de sua carreira. Na época, ele atualizava seu blog no horário de trabalho, pois começava a perceber que esta nova forma de gerar conteúdo, veicular propaganda e interagir com o mundo inteiro era também uma nova forma de gerar dinheiro. Muito dinheiro.

Hoje, Interney é referência na web brasileira, seja para blogueiros ou empresas que utilizam ou querem fazer uso de mídias sociais. Nesta entrevista, feita inteiramente via Formspring, rede social em que a comunicação ocorre através de perguntas e respostas, o fundador da Polvora! comunicação fala não só sobre redes sociais e blogs, mas também sobre o futuro da publicidade online, problemas e soluções de e-commerce, além de explicar porque vendedores em loja ainda funcionam tão bem.

UseFashion – Quais as razões para uma empresa investir em redes sociais?
Edney Soza – 39% da população brasileira já acessou internet (71,7 milhões), 53% acessa diariamente (38 milhões) e 70% participam de redes sociais (50 milhões). É muita gente para você ignorar. Existem alguns indicadores por classe social, instrução e faixa etária que você pode consultar aqui. Mas vale salientar que alguns nichos saem totalmente dessas estatísticas. Se você trabalha com tecnologia por exemplo, 100% dos executivos, não importa a idade, deve estar online, e uma significativa parcela em redes como o Linkedin.

UF – Que tipo de empresa costuma se sair melhor? E pior?
ES – Como tudo nessa vida não tem receita de bolo, você tem de fazer uma pequena pesquisa de mercado para avaliar o quão importante as mídias sociais são no seu mix de comunicação. Porém se você lida com classe AB, grau de instrução superior e idade de 16 a 34 você já deveria ter começado sua estratégia digital há uns 5 anos e se você ainda não usa mídia social está perdendo muito dinheiro.

UF – Quais os principais acertos e erros que as empresas cometem ao utilizar mídia social?
ES – Erros: Usar mídia social como qualquer outro canal de comunicação, apenas para informar numa via de mão única. Falar mais do que ouvir. Conquistar audiência ao invés de relacionamento.

Acertos: Usar os canais sociais para ouvir e responder. Esses espaços são para se relacionar com sua audiência e conquistar confiança e reputação.

UF – O que você indica para gestores que procuram informações detalhadas sobre as aplicações de mídia social?
ES – Eu tenho uma série de apresentações que falam sobre isso. De qualquer maneira, aplicações de mídia social devem ser customizadas de uma empresa para outra, de um mercado para outro, entre em contato conosco (Agência Polvora!,  na qual Edney é Diretor de Operações), ficaremos felizes em detalhar como sua empresa pode usar mídias sociais e quanto isso custa.

UF – Na sua opinião, agregadores de serviços que unem contas de diversas redes sociais e sites, como Flavors, Brizzly e Buzz, são a solução para a grande variedade destas opções na web?
ES – Existem muitas redes porque as utilidades delas são distintas. Você coloca no Linkedin seus contatos profissionais, no Orkut seus contatos pessoais, no Last.FM amigos que tem um gosto musical parecido, no Foursquare pessoas que você quer encontrar pessoalmente no seu dia-a-dia. Acho agregadores utéis como uma espécie de cartão de visitas.

Empresas têm que analisar cada rede social e se fazer 2 perguntas: 1ª: Meu público-alvo está aí? 2ª: Tenho condições de produzir conteúdo e interagir frequentemente nessa rede? Sair criando perfil em todos os lugares não é estratégia, é perda de tempo, a não ser que você seja um pesquisador dessas ferramentas e precise testar tudo que sai de novo.

UF – Como identificar interesses de grupos nas redes sociais para então direcionar conteúdo de valor?
ES – Transforme seu negócio em palavras-chave, pode usar suas marcas, nome dos seus concorrentes, ofertas, executivos-chave, mercado alvo, etc. Ao procurar estas palavras-chave nas redes sociais você encontrará pessoas e assuntos. Através do resultado dessas pesquisas você cria um projeto editorial e um plano de pautas para as redes onde percebeu que tem condições de participar.

Volte a essas redes e participe das conversas onde você tem condições de produzir conteúdo de valor, lembre-se sembre que a ordem é ouvir, planejar, responder. E não o contrário.

UF – Mesmo com o aumento das vendas online, os sites corporativos vêm perdendo acesso por serem obsoletos. O que é indispensável atualmente para uma empresa criar um site institucional atraente, em termos de layout e operacionalidade?

ES – É impressionante a quantidade de vezes que tento comprar algo online e desisto porque o sistema de e-commerce não funciona. Os principais problemas na minha opinião são:

• Desenvolvedores não testam seus sites nos principais browsers (IE, Firefox, Chrome, Safari, Opera) e esquecem de versões antigas desses browsers;

• Não atualizam suas aplicações quando novas versões de Flash, Java e Silverlight são lançadas;

• Não preparam suas telas para serem acessadas em celular;

• 10% da população masculina mundial tem algum tipo de daltonismo (eu inclusive) e às vezes o contraste de cores em um site é simplesmente impossível de ler;

• Alguns sites enchem de vídeos e plugins, mesmo tempo banda larga em casa acesso a internet pelo celular na maior parte do tempo, e nem sempre tenho 3G ou wifi ligado a banda larga onde estou.

Além destes aspectos técnicos, há também os comportamentais, como a diferença entre conversas públicas e conversas privadas:

• Formulário de contato: Permite estabelecer conversas privadas entre emissor e receptor. Todo o conteúdo da conversa é particular e fica indisponível para outros interessados;

• Caixa de comentário: Permite estabelecer conversas públicas entre a organização e o público além de conversas entre o público. Todo o conteúdo fica disponível e serve de apoio para os novos visitantes Os visitantes se ajudam ampliando a capacidade de atendimento da organização.

As pessoas entram na internet para conversar, se você não conversa, tem grandes chances de perder uma venda, é por isso que vendedores em loja ainda funcionam tão bem.

UF – Blogs se tornaram mais importantes do que sites para empresas que querem estabelecer uma relação mais próxima e atualizada com clientes?
ES – O blog funciona como o eixo da sua comunicação, você tem de estar sim no Twitter, no Facebook, etc. porque as pessoas estão lá, mas esses canais são de terceiros, se você desrespeitar algum dos termos do serviço, sua conta pode ser deletada, acontece com muita gente. Um blog com domínio registrado no seu CNPJ e hospedado numa empresa nacional não sai do ar exceto se você estiver cometendo algum tipo de crime, e mesmo nesse caso permite que você resolva o problema na justiça.

Além disso, blogs são canais autorais, você não vai impressionar muita gente com 140 caracteres no Twitter, é mais fácil você chamar atenção fazendo um post bacana e então twittar esse post.

Você também pode ser autoral em vídeo, foto e áudio, não precisa se limitar ao texto, mesmo assim sugiro que publique seu material multimídia nas redes sociais adequadas e poste-as no seu blog. Caso algum desses materiais saia do ar, você pode simplesmente subir em outro lugar e atualizar o seu post. Se o blog é o eixo da sua comunicação, seus leitores não se perdem. Em resumo, a ideia é: participe das redes, mas traga as pessoas para o seu blog.

UF – Já anunciaram que o Google Wave extinguiria o e-mail, assim como falaram que o Foursquare seria o novo Twitter. O que há de verídico nestas reinvenções alardeadas pela mídia e como você vê este fenômeno, que está cada vez mais acelerado?
ES – O Google Wave é para conversas instantâneas e/ou públicas, é um jeito novo de conversar (que eu por enquanto acho caótico e pouco produtivo, mas pode ser que melhore em algumas atualizações).

O Foursquare é sobre compartilhar com seus amigos onde você está e dica dos lugares que você visita.

Geralmente essas invenções de que alguém vai morrer ou substituir algo antigo são alardeadas sobre quem não tem a mínima ideia de como cada ferramenta funciona, ou por quem sabe e deliberadamente está causando polêmica para fazer publicidade, por exemplo.

Surgem dezenas de ferramentas novas todos os dias, poucas alcançam o mainstream, poucas conseguem lidar com o crescimento da base de usuários, das que sobram muitas chamam a atenção de Facebook, Google, Microsoft, Yahoo e outros que acabam as comprando e incorporando em seu império.

Com cada vez mais gente interessada no mercado de internet, ainda teremos novidades sendo lançadas, com mais e mais frequência por um bom tempo.

UF – No âmbito da publicidade online, o que esperar e em que apostar a curto e médio prazo?
ES – Você nunca aposta todas as suas fichas em um único tipo de ação. Sua estratégia deve continuar mixando publicidade offline e online.

Dentro de publicidade online tem de continuar pensando em banners, links patrocinados, SEO, e-commerce, promoções, etc. enquanto também olha mídias sociais, realidade aumentada, geolocalização, social games, aplicativos mobile, etc.

É importante entender como funciona cada tecnologia, seu alcance, o tipo de impacto que ela causa no seu público-alvo e qual o investimento necessário para o retorno esperado de cada uma.

Quando criamos uma estratégia online na Polvora!, não nos limitamos a mídias sociais, procuramos o melhor para o cliente e dividimos a operação/produção com outras agências/produtoras experientes e especializadas em outras técnicas.

No nosso ponto de vista, mídias sociais são essenciais em toda estratégia, mas não é uma panacéia que vai resolver todos os seus problemas.

Foto: Talita Mariano/Divulgação

Eduardo Pedroso
[email protected]

Categoria: Artigos, Entrevistas

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